Drenagem Linfática Manual (DLM) no Tratamento Pós Cirúrgico de Câncer (CA) de Mama – Por Melissa Betel

O câncer é resultado de uma perda dos mecanismos que regulam e comandam o comportamento normal das células, que crescem e se dividem de maneira descontrolada espalhando-se pelo organismo atrapalhando a função dos tecidos e órgãos normais (MOTA, 2010).

A designação de câncer de mama refere-se ao carcinoma que se origina nas estruturas glandulares e de ductos da mama.

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Há vários tipos de câncer de mama, sendo que alguns são bastante raros. Em alguns casos, um único tumor na mama pode ser uma combinação de vários tipos de tumores. O carcinoma de mama pode ter sua evolução lenta ou rápida. Depende do tempo de duplicação celular e outras características biológicas de progressão. É a neoplasia que mais acomete mulheres, entre 40 e 69 anos, e o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil e no mundo, logo depois do melanoma não maligno.

A etapa mais incisiva do tratamento para o câncer de mama é a cirurgia. Podem ser realizadas cirurgias conservadoras, como a tumorectomia (retirada apenas do tumor) e a quadrandectomia (retirada do quadrante onde se localiza o tumor) ou a mastectomia radical, que pode vir acompanhada com ou não de linfadenectomia axilar, podendo também ser acompanhada da retirada ou não do músculo peitoral maior.

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Após a cirurgia podem ocorrer várias complicações pós cirúrgicas, como o aparecimento de fibroses, alterações circulatórias e respiratórias, parestesias, dor, rigidez, linfedema, entre outras.mama-3

O linfedema braquial pós-mastectomia radical é a alteração mais comum após a cirurgia. É uma síndrome de causas múltiplas, na qual existe acúmulo excessivo de líquido, com alta concentração proteica, em partes do braço ou nele todo, causada pela destruição do sistema linfático e dificuldade de regeneração do mesmo.

A probabilidade de ocorrência de linfedema é maior quando se faz a remoção cirúrgica da cadeia axilar e nodos linfáticos. Sendo que que o risco aumenta quando se associa esse procedimento cirúrgico a radioterapia na região axilar e fossa subclávia. Isso ocorre pelo aparecimento de tecido cicatricial na região.

O tratamento do linfedema deve ser feito através da drenagem linfática manual, fortalecimento e alongamento muscular e massagem de fricção sobre a cicatriz. Sendo que seu tratamento deve ser iniciado o mais breve possível para evitar sua instalação no membro, lembrando que após instalado o quadro de linfedema não há mais cura para o mesmo, apenas controle.

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A DLM pode ser iniciada nos primeiros dias de pós-operatório, respeitando o limite de dor da paciente, visando sempre uma recuperação eficiente, preservando os movimentos do membro ou mantendo-os o mais próximo e mais funcional possível.

A DLM no pós operatório do CA de mama irá estimular a absorção e o transporte de líquidos intersticiais, de uma área em congestão até outras regiões que possuam linfonodos preservados e em perfeito funcionamento. Também irá atuar dissolvendo fibroses linfostáticas, estimulando a formação de neoanastomoses linfáticas, estimulando o trabalho dos capilares linfáticos e estimulando a motricidade dos linfagions.

Isolada, a DLM não é eficaz no tratamento do linfedema. Deve ser associada a Bandagem Compressiva do membro, com a finalidade de manter o membro com o menor volume possível pois irá causar um aumento moderado na pressão total do tecido aumentando assim a absorção da linfa pelos capilares e auxiliando no bombeamento dos linfagions, pois irá exercer uma compressão externa criando um suporte semirrígido, promovendo resistência ao movimento de contração muscular.

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A DLM deve ser iniciada no tronco contra lateral ao edema, ou seja, no quadrante livre de edema com a finalidade de aumentar a atividade linfocinética. Este aumento de atividade faz com que o quadrante edemaciado seja beneficiado pela drenagem entre as anastomoses dos capilares linfáticos existentes entre eles. A descongestão linfática do quadrante homolateral ao linfedema permite que a linfa do membro edemaciado passe através dos canais linfáticos dilatados para o quadrante normal. Isto promoverá uma descongestão linfática e irá preparar as regiões não afetadas para receber a linfa das regiões bloqueadas.

As manobras devem ser iniciadas com a manobra de evacuação sobre a axila contralateral, fossa subclávia, região pubiana, região inguinal e região poplítea.

Iniciar os movimentos de DLM na mama íntegra, depois tórax e braço contralateral íntegro. Visando à preparação da área para recebimento da linfa da região congestionada.

Iniciar a DLM da mama, tórax e membro superior comprometido sempre com movimentos de bombeamento de proximal para distal para auxiliar o descongestionamento da área.

Drenar a região torácica abaixo da cirurgia e cisterna do quilo associando a respiração diafragmática. Drenar os membros inferiores e região do dorso.

Sempre observar se foram retirados os linfonodos da região axilar da mama comprometida. Caso estejam íntegros, a mama, o tórax e o membro superior homolateral deverá ser drenado para a axila homolateral a cirurgia. Caso os linfonodos tenham sido retirados, devemos utilizar a drenagem reversa, ou seja, conduzir a linfa da região comprometida para a axila contralateral íntegra.

 

Melissa Betel  é fisioterapeuta (CREFITO-3/71.386-F) e professora dos cursos de Terapias Corporais e Faciais Estéticas do Instituto Long Tao.