Tecnologia da emoção, não! – Por Aline Cristina Fadini

tablets-smartphones-O avanço tecnológico nos permitiu muitas conquistas e oportunidades em diversas áreas. Depois da chegada da internet, nos equipamos com computadores, tablets e smartphones para nos “conectarmos” de forma mais ativa. Acessar os e-mails do trabalho na palma da mão, consultar as últimas notícias do mundo e até se entreter nas redes sociais, supostamente, interagindo com os amigos.

São muitas informações disponíveis na nossa rotina moderna, infinitas e acessíveis, um toque à distância de nosso conhecimento.

Podemos saber como está aquele antigo colega com quem estudamos no colégio ou aquele parente que foi fazer intercambio no exterior.

Que tal fazer a última receita do masterchef? Ou aprender a tocar violão com um vídeo tutorial? E porque não nos tornarmos críticos e/ou escritores e discorrer sobre a política, feminismo e racismo? É muito rápido saber sobre a reputação de um restaurante (e até de uma pessoa), e mais fácil ainda parece ser aprender sobre nossas experiências, através de outros.

O que não faltam são artigos como:

– 10 passos para superar o fim da relação;

– 5 maneiras para conseguir o cargo que sempre desejou;

– 15 alimentos que você não deveria jamais ingerir;

– 5 passos para ter sucesso profissional;

– 10 coisas que as pessoas felizes não fazem.

A liberdade de expressão e as facilidades da inclusão digital formaram doutores em relacionamentos, mestres em coaching, nutricionistas, políticos, poetas, etc. O Google se tornou o médico preferido da maioria daqueles que resolvem juntar alguns sintomas e se auto diagnosticar, muitas vezes até se auto medicando.

A facilidade do acesso à tanta informação pode parecer nos tornar mais independentes, mas é exatamente o oposto.

Somos indivíduos diferentes externa e internamente, o que significa que é muito provável, frente à uma mesmíssima experiência, reagirmos de formas diferentes.

Aprenderemos diferentes lições e, acima de tudo, a mesma experiência nos afetará de formas distintas.

Aquela receita de feijão pode sim ficar formidável, mas ao reproduzi-la, perde-se a chance de criar algo único, com o seu toque especial. Todos adoramos a comida da vovó, não é mesmo?

Aquela pessoa que superou o fim de uma relação agindo daquela forma, aprendeu como lidar com aquele assunto, especificamente, da forma dela. Se você tentar fazer o mesmo, pode ser que não funcione; e além de não superar uma situação emocionalmente difícil, ainda sinta mais angustia por não existir identificação genuína do seu eu com a lição na situação. O processo da sua vida que  poderia trazer crescimento e aprendizado não acontece e, em seu lugar, uma sensação deriva e frustração, roubam a cena.

É importante termos pessoas que admiremos e que possam servir de exemplos por suas conquistas e atitudes. No entanto, elas são apenas referências, são a luz pra iluminar um caminho, que apenas você pode percorrer.

Nossa estrutura emocional depende das experiências pelas quais passamos, e no processo de construção (ou reconstrução) de valores que moldam constantemente nossa personalidade. É na necessidade da reavaliação de nossos comportamentos que podemos olhar para nosso coração e sermos leais aos nossos reais desejos e anseios. Os momentos difíceis pelos quais passamos são  oportunidades de autoconhecimento e cura de nós mesmo. São presentes, e são de nossa responsabilidade, mais ninguém.

Seguir instruções ou padrões de outras pessoas e se deixar influenciar por uma cultura ou tendência é negar a si mesmo uma oportunidade de crescer e brilhar de forma única.

Temos dentro de nós diversas habilidades emocionais que acabam não se desenvolvendo por não vivenciarmos verdadeiramente nossos momentos. Pare um minuto, respire fundo e considere sinceramente o quanto tem sido verdadeiro e delicado consigo mesmo. Quantas alternativas explorou, dentro de si mesmo, para lidar com situações que lhe prejudiquem? O quanto tem dedicado de tempo e carinho para ouvir sua intuição e suas vontades? Pare um minuto, deixe os eletrônicos e atualidade de lado um pouco, e pense apenas em você.

Vale a pena reservar um tempo para se conhecer e descobrir a grandeza de si mesmo, você merece.

Aline Cristina Fadini – Psicóloga Clínica (CRP-SP 06/138647) – atende no Instituto Long Tao todas as terças-feiras e sábados, com hora marcada.